Enquanto eles discutem, São Paulo naufraga

Nos últimos dias, temos assistido reiteradas discussões entre o Prefeito da cidade de São Paulo e o Governador do nosso Estado. Inicialmente, discutiram sobre as enchentes que penalizam a nossa população: o Prefeito, acusando o Governador pela desgraça causada; o Governador, retrucando que a culpa era da Prefeitura. Alguém precisa dizer, e digo a esses Senhores, que as eleições municipais ainda não começaram. Não é hora de procurar culpados; a hora é de encontrar soluções. Lembrei-me de 1991, ano em que assumi o Governo de São Paulo. No final de março, menos de 15 dias após minha posse, houve uma grande enchente em São Paulo. Ao invés de acusar pessoas, convidei a então Prefeita Luiza Erundina para uma reunião no Palácio dos Bandeirantes. Formamos um grupo de trabalho em conjunto, que propôs medidas e providências, nos âmbitos estadual e municipal. O resultado foi altamente positivo, pois nos anos posteriores (92 a 94) as enchentes, quando ocorreram, não tiveram a dimensão das atuais.

Mas não foi esse o único episódio em que a discussão entre as duas autoridades atingiu o nível infantil do "empurra-empurra", em prejuízo à população. No episódio dos "perueiros", assistimos cenas de vandalismo, atitudes de verdadeiro terrorismo, sem qualquer providência concreta por parte das autoridades constituídas. Verificamos, também, que o Governo do Estado trata de forma diversa situações iguais. Em Guarulhos, até de forma violenta, houve intervenção da força policial estadual, fiscalizando a atuação dos "perueiros", enquanto que, na Capital, se dizia que tal fiscalização não poderia ser executada pela Polícia Militar. Ora, lá décadas existe um convênio celebrado entre a Secretaria de Segurança Pública e a Prefeitura, para que a fiscalização e o policiamento de trânsito seja executado pela Polícia Militar. Será que o convênio só vale para aplicação de multas? É evidente que, ao fiscalizar a atuação dos "perueiros" clandestinos, verificando as condições de segurança dos veículos, agindo preventivamente, a Secretaria de Segurança Pública estaria cumprindo o disposto no Código Nacional de Trânsito e no convênio celebrado há anos.

Além disso, incendiar ônibus, agredir fiscais, apedrejar veículos, dentre outras, são condutas criminosas, cabendo à Polícia do Estado preveni-los e reprimi-los, sob pena de prevaricação. Declarações de autoridades, como o Secretário de Segurança Pública e o Governador, dizendo que não lhe cabe tomar providências, ou sugerindo que a Guarda Municipal exerça atividades de polícia preventiva, que lhes são legalmente vedadas, só contribuem para incentivar a violência dos baderneiros travestidos de "perueiros". É mais do que hora de parar com essas discussões inúteis. É hora de somar esforços, para restabelecer a ordem e a segurança em São Paulo. A nós, paulistanos, não nos interessa saber de quem é a culpa: queremos soluções. É desalentador verificar que, enquanto eles brigam, São Paulo naufraga nas águas da incompetência, da arrogância da má vontade e da indiferença. Chega de picuinhas pessoais, de disputas políticas. São Paulo exige que os interesses da cidade estejam acima do jogo político e das palavras vazias.

Mais respeito com a nossa cidade. São Paulo merece.