DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO LUIZ ANTONIO FLEURY, NA TRIBUNA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS NO DIA 04-08-99.

Senhor Presidente,
Senhor Governador Mário Covas,
Meu Caro André Franco Montoro Filho,
Dona Lucy Montoro,
Filhos, Familiares e Noras do nosso querido ex-Governador Franco Motoro,
Senhoras e Senhores Deputados,
Minhas Senhoras e meus Senhores,

Não Poderia deixar de fazer uso da palavra nesta singela homenagem que se faz à memória de um dos maiores políticos brasileiros dessa geração e que lamentavelmente nos deixou.

Conheci o professor Montoro e sempre o admirei pelas suas idéias, principalmente pela forma com que as defendia. Um homem sem ódio no coração, que fez da sua vida um exemplo de grandeza e de desprendimento. Um homem que soube lutar mesmo nos momentos mais difíceis, sem jamais perder o otimismo que o caracterizava.

Se pudéssemos fazer um retrato do Professor André Franco Montoro, teríamos de pintar as cores da democracia, pois a democracia brasileira foi pintada por ele, um dos responsáveis pela redemocratização deste País.

Se hoje estamos aqui rendendo homenagens a sua memória, foi porque ele teve a coragem e o desprendimento de enfrentar o regime militar, de lutar pelas eleições diretas e jamais desanimar, dando-nos um exemplo de perseverança que honra todos nós brasileiros de São Paulo, principalmente todos os brasileiros que o reconhecem como o grande líder deste País.

Falar da sua luta pelas eleições diretas, de seu trabalho como Governador seria repetir o que disseram aqueles que já me antecederam e o fizeram com maior brilho. Se nós tivéssemos de definir o Governador Montoro, usaríamos uma única palavra: ele jamais deixou de ser o Professor, que nos dava lições de Direito, de Administração, de humildade, mas principalmente de vida.

Eu tive a oportunidade, então Presidente da Associação Paulista do Ministério Público e da Confederação Nacional do Ministério Público, de fazer discurso de apoio, como a primeira entidade civil a se juntar à luta pelas eleições diretas.

E me lembro de seu sorriso largo ao ouvir auqele discurso e sentir que a sua pregação estava alcançando os resultados que ele tanto esperava e que nós conhecemos.

Recordo-me com muita emoção também, já na condição de Governdador de São Paulo, que nos empenhamos junto a ele e a tantos outros na luta pelo Parlamentarismo, sabendo que era uma luta praticamente perdida. Franco Montoro nos dizia: "Nós temos de plantar essa semente. Um dia ela via Frutificar". Jamais desanimou se, às vezes, éramos verdadeiro exército sem rumo em busc das multidões e não a encontrávamos, porque a luta pelo Parlamentarismo não chegou a empolgar.

Lembro-me, Governador Mário Covas, que fizemos um comício em Tatuí, o único comício do Parlamentarismo neste País. E o Parlamentarismo venceu em Tatuí. Naquela oportunidade estavamos presentes Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Franco Montoro e eu. E percebíamos a satisfação de Montoro ao ver a multidão se empolgando com a tese que defendia e continuou defendendo.

Não me alongar, nem devo, pelo adiantado da hora. Mas gostariamos de dizer a seus filhos, Dona Lucy, que muitas e muitas vezes procurei os conselhos de Franco Montoro quando era Governador de São Paulo. E se errei não foi por falta de seus conselhos, mas muitos dos acertos que tive se dcevem, por certo, aos conselhos que ele me deu.

O poeta, procurando simbolizar a dor de quem perde o pai, dizia que "naquela mesa está faltando ele, e a saudade dele está doendo em mim". Todos vocês, familiares, podem ter certeza de que nesta Casa a ausência de Franco Montoro vai fazer does a saudade em todos nós. Mas fica a certeza de que ele era um homem que não merecia de forma alguma morrer de pijama. Ele morreu combatendo, como sempre fez na sua vida.

Quero dizer, caro Governador Mário Covas, que a homenagem que V. Exa. fez ao velar o corpo de André Franco Monotoro no Palácio dos Bandeirantes não poderia ser mais justa, porque foi ele que reconquistou aquele alácio para a democracia brasileira.

Por isso, com muita emoção, dirijo-me à Dona Lucy e aos seus filhos, para que tenham absulota convicção de que a obra, as palavras, o exemplo, a tenacidade, a coragem, a humildade e as idéias de Franco Montoro serão honrados por todos aqueles que se consideram seus alunos e que estão um pouco mais empobrecidos pela foalta que ele nos faz.

Ele, por certo, ao lado de Ulysses Guimarães e de Tancredo Neves, estará estendendo as suas mãos e a sua generosidade, para que possamos construir o País com que sonhou e que lutou para construir. Temos a obrigação de tornar o seu sonho uma realidade.