DISCURSO PROFERIDO PELO DEPUTADO LUIZ ANTONIO FLEURY, NA TRIBUNA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS NO DIA 05-05-99.

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,

Fatos de extrema gravidade estão acontecendo no Estado de São Paulo trazem-me a esta tribuna neste momento.

Desde o início do ano até o presente momento, 11 jovens foram assassinados nos colégios e nas escolas públicas de São Paulo. Pude acompanhar, durante esta semana, o Governo do Estado tentando justificar-se. A Secretária de Educação veio a público dizer que pretende abrir as escolas nos finais de semana para que a comunidade possa participar mais ativamente. Só que isso está acontecendo quase cinco anos depois de ter-se interrompido o Programa Escola Aberta, da minha administração, no qual as escolas funcionavam nos finais de semana com oficinas culturais , oficinas de esporte, onde havia uma integração maior, principalmente na Grande São Paulo, levando à diminuição da violência.

Senhor Presidente, vejo falar-se também que não há como fazer a segurança escolar de todas as escolas e que cerca de 900 escolas apenas têm a presença da Polícia Militar feminina, pois o Governo que me sucedeu extinguiu a segurança escolar, que atendia a 2.300 escolas na região metropolitana de São Paulo.

Vejo também, com espanto o crescimento do uso de drogas nas escolas. O Governo que me sucedeu em São Paulo, o atual Governo do estado, fez questão de paralisar o programa de prevenção ao uso indevido de drogas, que aplicávamos e que foi premiado pela Organização das Nações Unidas e reconhecido como modelo pela Organização Mundial de Saúde.

Mas não tenho nenhum espanto. A incompetência, a falta de prioridade, o absoluto descaso com a escola e com a segurança pública agora estão custando cada vez mais vidas de inocentes, vidas de estudantes, e já se torna cada vez mais difícil sair às ruas de São Paulo.

Parece até que o Governo está começando agora. Nem parece que este Governo teve quatro anos e conseguiu piorar a situação da segurança em São Paulo, chegando à calamidade pública.

Faço este registro, Senhor Presidente, para que amanhã não venham dizer que não houve grandes invenções e soluções mágicas. Bastaria dar seqüência à política de segurança pública, e São Paulo não estaria como está hoje: à mercê dos marginais, principalmente as escolas públicas, que sofrem agressões de todo o gênero em razão da incompetência administrativa que temos no Estado.

Muito Obrigado.