2001 o ano do basta
Aquela velha história de que no Brasil tudo só começa
depois do carnaval decididamente não vale para os bandidos. Nesse
início de 2001, especialmente em São Paulo, todos os tipos
de crime parecem ter se multiplicado, a ocorrência de um delito
acarretando muitas vezes a prática de outros, num circulo vicioso
alimentado pela impunidade.
Logo no primeiro dia do ano, em plena luz do sol, três rapazes
foram assassinados em frente a uma escola do Parque Novo Mundo na zona
norte da capital. E desde então, a violência não
parou: outras chacinas, fugas de presos, seqüestros, roubos de todo
o tipo, assaltos a bancos. O risco só não é grande
para os bandidos.
Segundo a estimativa de uma revista semanal de informação,
apenas um em cada cem criminosos para integralmente o que deve à sociedade.
Isto porque, de cada 100 crimes violentos registrados nas delegacias
brasileiras, calcula-se que a polícia só consiga pender
os suspeitos em 24 casos. Desses 24, os policiais reúnem provas
para levar a julgamento os envolvidos em 14 episódios. E desses,
apenas um cumprirá a pena até o final.
Ainda recentemente, um levantamento feito por um dos grandes jornais
de São Paulo mostra que, só no ano passado, o número
de presos que fugiram das cadeias corresponde a mais que o dobro daqueles
que deixaram os estabelecimentos carcerários por cumprimento
de pena, ou seja, 6159 contra 2987 respectivamente.
No caso paulista, a maior parte da responsabilidade cabe, obviamente,
ao próprio governo que colecionou todos os erros possíveis
no trato com os criminosos. Toda vez ocorre uma rebelião numa
penitenciária, e já ocorreram várias em 2001,
as autoridades cedem a todas as exigências. Os amotinados seqüestram
e torturam agentes penitenciários, incendeiam colchões
e oficinas, quebram instalações sanitárias, conseguem
o que bem entendem e tudo fica por isso mesmo. Recentemente, para festejar
uma dessas rebeliões, os detentos promoveram um churrasco a
que não faltaram cerveja e maconha para acompanhar os oitenta
quilos de carne consumidos diante dos olhos complacentes das autoridades.
Quando à Febem, mudam os administradores e nada se resolve.
No início do ano, pediu demissão o quinto presidente
da instituição desde 1995.
É
bem verdade que a falta de comando na segurança paulista é apenas
um dos fatores geradores da impunidade. Quando se examina a morosidade
da justiça, o absurdo da legislação penal e processual,
a inadequação da maioridade penal à realidade brasileira,
percebe-se que chegou a hora de uma grande mudança. Esse é talvez
o único ponto positivo da situação atual. Diante
do fracasso cada vez mais evidente das políticas absurdas implantadas
nos últimos anos, frente ao desastre continuado da segurança
pública, o país par4ece, enfim, obrigado a "cair na
real" e reagir.
Nos próximos meses, entrará em pauta o exame de um conjunto
de 80 propostas de minha autoria incluindo a possibilidade de prisão
perpétua para crimes hediondos, a fixação de maioridade
penal ao 16 anos, a adoção de trabalho obrigatório
para todos os presidiários , a criminalização da
fuga de presos. Já não é sem tempo. Esperamos demais
para conter a onda de violência. 2001 deve ser o ano do basta.
Deputado LUIZ ANTONIO FLEURY FILHO
06/02/2001
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