O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY (PTB-SP. Pronuncia o seguinte discurso.)
- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último dia 4 de maio,
artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, de autoria do jornalista
Ethevaldo Siqueira, sob o título TV Cultura pode sair do ar, deixou-me
profundamente entristecido com o descaso e os maus-tratos promovido pelo
Governo do Estado de São Paulo.
Peço licença à Mesa Diretora para ler a íntegra
do referido editorial que gostaria que constasse nos Anais desta Casa.
"Os equipamentos analógicos estão totalmente obsoletos. Uma
velha caixa d'água de 240 mil litros ameaça desabar. Diante da
falta de fitas até para copiar os programas, recorre-se às fitas
do arquivo. Os atrasos de pagamento atingem até os fornecedores de arroz
e feijão para o restaurante dos empregados. Dívidas parceladas
deixam de ser honradas. O sinal da programação em algumas das maiores
cidades do interior de São Paulo já foi cortado.
Eis aí um retrato da situação a que chegou a TV Cultura,
da Fundação Padre Anchieta, mesmo depois da demissão de
mais de 300 funcionários e de cortes profundos em seu orçamento.
O governo do Estado não cumpre nem as promessas de aporte mínimo
de recursos que fez ao impor as condições para continuar seu apoio à Fundação
Padre Anchieta. Se essa situação persistir por mais dois ou três
meses, a TV Cultura - que conquistou para o País alguns dos maiores prêmios
internacionais na área de programação infantil de televisão
- pode sair do ar.
Por mais estranho que possa parecer, a TV Cultura está sendo levada à inviabilidade
operacional e tecnológica e caminhando para o fim. Quando tudo se faz
com tecnologia digital, seus equipamentos continuam analógicos, podendo,
portanto, virar ferro-velho em pouco tempo.
Desespero - Em correspondência enviada na semana passada à Secretária
da Cultura do Estado, Cláudia Costin, o diretor-superintendente da entidade
mantenedora da TV Cultura, a Fundação Padre Anchieta, Manuel Luiz
Luciano Vieira, relata a situação a que chegou a entidade e pede
ao governo estadual o cumprimento de sua parte. Vieira recorda que a TV Cultura
efetuou todos os cortes de despesas possíveis, inclusive demitindo mais
de 300 pessoas, na expectativa de que o governo cumprisse os compromissos de
apoio financeiro emergencial - cujo montante não alcança sequer
R$ 20 milhões - para garantir a sobrevivência da emissora. O superintendente
menciona os seguintes fatos que mostram bem a crise da Cultura:
A caixa d'água da entidade, de 240 mil litros, segundo laudo do Instituto
de Pesquisas Tecnológicas, corre o risco de ruir. Mas não há recursos
para as providências de emergência.
A maioria dos equipamentos é tão velha que não suporta sequer
reparos emergenciais. Com isso, os programas da emissora começam a sofrer
apagões por conta da obsolescência de transmissores e repetidores.
Os telespectadores paulistas que assistiam aos programas retransmitidos pelas
estações de Jundiaí, São José do Rio Pardo,
Dracena, Cajuru, Mirantes do Paranapanema, Presidente Prudente, Leme e Pedro
de Toledo já não recebem as imagens da TV Cultura.
Está praticamente interrompido o sinal aberto que atendia aos telespectadores
no município de Campinas.
O reaproveitamento de fitas chegou ao ponto de canibalizar até material
de arquivo, ameaçando a própria memória da Fundação
Padre Anchieta e da televisão brasileira.
As caldeiras e os balcões frigoríficos do restaurante da emissora
já não suportam mais reparos, pois foram instalados em 1977.
O prejuízo - É uma vergonha para um Estado como São Paulo,
relativamente rico, permitir que a situação chegue ao ponto que
chegou. Os cortes de recursos, que começaram em 1995, foram crescendo
até alcançar o nível insuportável de hoje. Na verdade,
eles acabam retirando o oxigênio essencial para um projeto comprovadamente
vitorioso como o da TV Cultura. Os dirigentes da Fundação reconhecem
que, embora essenciais e compreensíveis, os cortes foram muito além
do limite do bom senso. E o governo Alckmin parece não importar-se com
o futuro de uma emissora como a TV Cultura, nem com os riscos de queda de qualidade
de seus programas. Nada parece sensibilizar o governo, que se recusa a manter
a emissora, mesmo com verbas muito menores que as do passado.
Calote - A sobrevivência da TV Cultura depende hoje basicamente de dois
tipos de recursos. De um lado, os repassados por lei pelo governo do Estado.
De outro, as receitas obtidas com o patrocínio publicitário de
seus programas. O governo, entretanto, não tem cumprido sua parte, nem
mesmo depois dos cortes que exigiu. Pior: não devolve as verbas economizadas
com a demissão de funcionários, nem transfere os recursos essenciais
para o custeio. Ao mesmo tempo, a Fundação enfrenta a queda das
receitas de publicidade, conseqüência não apenas da conjuntura
setorial mas, particularmente, da falta de atrativo de uma emissora que perde
competitividade no tocante à qualidade técnica e à renovação
de seus programas."
Sr. Presidente, não posso ficar calado diante de tão duro golpe
sofrido pela TV C |