O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY (Bloco/PTB-SP.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, queremos chamar a atenção de V.Exas., ainda na condição de Presidente da Comissão de Minas e Energia, para a discussão sobre privatização do setor elétrico brasileiro, em particular FURNAS, COPEL, CHESF e outras estatais que produzem energia.
Tivemos longo debate na Comissão a respeito do assunto e gostaríamos de deixar claro que, antes de qualquer privatização, é preciso fazer uma análise das empresas privatizadas sob o ângulo do consumidor e não sob o do Governo. Temos de verificar se essas privatizações realmente apresentaram o resultado esperado pelo consumidor.
Ainda recentemente um apagão em São Paulo, num bairro de classe média onde moro, levou mais de dez horas para restabelecer a luz. E só para termos rapidamente uma idéia, enquanto a inflação, de acordo com
a FIPE, no período de julho de 1994 a agosto de 2000, ficou em 86%, a tarifa de energia subiu 92%; o álcool combustível 123%; a tarifa de água 122%; a gasolina 167%; os transportes coletivos 171%; o botijão de gás, usado pela classe mais humilde, 225% e a conta de telefone 394%. Foi o preço da tarifa: 394%.
Portanto, não podemos privatizar o setor elétrico, especialmente FURNAS, qualquer que seja o modelo, antes de abrir ampla discussão nesta Casa sob o ângulo do consumidor brasileiro, daquele que não está satisfeito com a privatização, a quem disseram que isso poderia gerar mais emprego. Pelo contrário, gerou desemprego. Disseram que a privatização iria melhorar, mas piorou os serviços, e a classe média está pagando um preço alto por isso.
Que esta Casa abra ampla discussão sobre FURNAS, sobre a privatização do que resta do setor elétrico brasileiro, porque na verdade estamos ficando sem nossas empresas, aumentando nossa dívida e — o que é pior — o nosso consumidor está cada vez mais abandonado.
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.
Muito obrigado.