O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY (PTB-SP. Sem revisão
do orador.)
- Sr.
Presidente; Sr. Presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ministro
Nilson Naves; Sr. Ministro Miro Teixeira, Srs. Antônio Carlos Drummond,
Evandro Guimarães, João Roberto Marinho, Sras. e Srs. Deputados,
minhas senhoras e meus senhores, agradeço à Liderança
do meu partido, na pessoa do Deputado Roberto Jefferson, por ter-me concedido
a honra de fazer a saudação, em nome do Partido Trabalhista
Brasileiro, à família do querido Roberto Marinho.
Já se falou aqui do empreendedor Roberto Marinho, da sua capacidade
de, aos 60 anos de idade, formar a maior rede de televisão do País.
Já se disse que ele, aos 26 anos de idade, assumiu o comando da
redação do jornal O Globo; aos 40 anos, tendo vislumbrado
a importância do rádio, criou a Rádio Globo; e, aos
73 anos, criou a Fundação Roberto Marinho. Já se falou
do Roberto Marinho esportista: do cavaleiro que aos 71 anos voltou a competir;
do mergulhador, do amor que ele tinha pelo mar e dos dias que passava na
sua casa em Angra dos Reis contemplando as belezas da natureza. Já se
falou do intelectual, do colecionador de artes, do empreendedor que, no
seu aniversário de 90 anos, falava dos planos de construir nova
sede da Rede Globo em São Paulo, de adquirir um jornal em São
Paulo, de fazer o PROJAC, o que realizou. Enfim, já se falou da
grande figura pública que foi Roberto Marinho.
Permitam-me, neste instante, falar um pouco do amigo Roberto Marinho,
homem que sempre foi amigo dos seus amigos. Recordo-me de 1990, quando
pela primeira vez
estive em um jantar em sua casa, e de 1992, quando fui Governador de São
Paulo, oportunidade em que tive a honra de recebê-lo para o Festival de
Inverno de Campos do Jordão, em cuja abertura ele foi recebido com palmas,
e depois, no jantar que se seguiu à apresentação da Orquestra
Sinfônica de São Paulo, disse não saber ser tão admirado
pelos brasileiros de São Paulo. NNaquela noite, meu caro Dr. João
Roberto Marinho - meus filhos adolescentes escutaram com admiração
as palavras de um homem que impressionava não apenas os mais velhos, os
adultos, mas que cativava todos aqueles que com ele conviviam -, já cansados
de um dia e uma noite extenuantes, quando pensávamos em nos recolher,
ele, no auge da sua juventude - sempre foi um homem jovem -, continuava a nos
contar passagens da sua vida, que na verdade refletiam a própria história
do País.
Recordo-me, da sua posse na Academia Brasileira de Letras, em 1993, em que
tive a honra de estar presente. Sua alegria por estar ali fazia um contraste
com sua
modéstia, porque se dizia apenas um jornalista. Mal sabia ele que do título
de imortal conferido aos membros da Academia Brasileira de Letras ele não
precisava, porque todo o Brasil já lhe havia concedido há muito
tempo.
Em 1994, participei do seu aniversário de 90 anos. Ali, mais uma vez,
senti a grandeza e principalmente a amizade silenciosa de Roberto Marinho. Isso
foi em dezembro. Eu já estava caminhando para o final do meu mandato.
Já havia um Presidente da República eleito; já havia uma
série de Governadores eleitos. No entanto, ele fez questão de me
honrar com um lugar à sua mesa e de colocar minha esposa ao seu lado.
Foi um gesto de amizade, de quem não era homem que se apegasse ao poder,
mas que procurava prestigiar seus amigos - e o fazia com sinceridade.
Roberto Marinho foi um educador, acima de tudo. Foi empresário, esportista,
intelectual. Mas se eu pudesse defini-lo em uma única palavra, diria que
Roberto Marinho foi um homem profundamente apaixonado; apaixonado pela sua família,
por seus filhos e netos, por Dona Lily, seu amor no final da vida, por este País
a que dedicou tanto esforço, inteligência e capacidade. Homem espirituoso,
sincero, fascinante no trato pessoal, mas principalmente apaixonado. Jovem de
espírito. Eu ousaria dizer que o dia 6 de agosto de 2003 levou à morte
um homem profundamente jovem nos seus 98 anos de idade. Roberto Marinho nunca
envelheceu, porque suas idéias estavam sempre adiante do seu tempo.
Desejo, neste momento, dizer que todos sentimos muito sua ausência física,
já que estará sempre presente na história do Brasil.
Ouço, com prazer, o nobre Deputado Roberto Jefferson.
O Sr. Roberto Jefferson - Deputado Luiz Antonio Fleury, desejo chancelar pessoalmente
o discurso que V.Exa. faz sobre o Dr. Roberto Marinho, pela Liderança
do seu partido. O Dr. Roberto Marinho desdisse Shakespeare, na passagem em que
Marco Antônio, ao lado do corpo de César, diz que o bem que o homem
faz acaba com ele debaixo da terra; o mal fica para a eternidade. Naquela antevisão
da Idade Média, Shakespeare se esqueceu que podemos viver no momento presente
essa realidade que oradores que o antecederam já disseram aqui: o bem
que o homem faz é justamente o que o perpetua. Dr. Roberto Marinho foi
um homem que construiu o bem - era um construtor de sonhos. Polêmico às
vezes, firme nas suas posições, democrata acima de tudo, mas construiu
um sonho. O Líder do PSDB, numa imagem muito feliz, disse que ele consolidou
a unidade do Brasil, de ponta a ponta, pela comunicação. Aliás,
saúdo o Líder do PSDB pelo brilhante discurso que fez. Deu dimensão
humana a Dr. Roberto Marinho, sem ser piegas, sem ser gongórico, sem ser
repetitivo, um grande discurso proferido no plenário desta Casa. E V.Exa.,
Deputado Luiz Antonio Fleury, faz o mesmo agora, ressaltando os valores pessoais
do Dr. Roberto Marinho. Quero dizer aos seus filho, ao que está presente
nesta homenagem que a Câmara faz à memória de seu pai e aos
demais, a seus netos, a seu irmão, enfim, à família do Dr.
Roberto Marinho, que me marca a presença do chefe de família, do
homem de família. Ele jamais perdeu essa dimensão, jamais extrapolou
o poder que sempre teve. Foi um homem simples, moderado nas suas atitudes, nas
suas ações. Nunca foi acintoso com ninguém. Dr. Roberto
Marinho não teve vida extravagante, foi um homem simples, um chefe de
família, e conseguiu, com talento, a coisa mais difícil que há -
na empresa de meu pai, quando a família entrou, não deu certo -:
unindo os filhos e o irmão, fez com que eles continuassem a administrar
com sucesso a obra que ele começou, com sentimento, com emoção.
O grande chefe de família tem a lágrima dos netos. Vi, no Jornal
Nacional: na missa de 7º dia, cada neto que se pronunciava prestava-lhe
uma grande homenagem com emoção que calava, embargava a voz, sufocava
a palavra na garganta. Fica a sua marca de chefe de família, homem de
bem que construiu o ideal de empresa e trouxe junto à família,
com todo o amor, entendendo construí-la juntamente com seus filhos e netos,
os homens sábios que fez depois de si - sábios porque os que o
estão sucedendo têm seu vigor, sua inteligência e sensibilidade.
Para mim, essa é a marca fundamental: chefe de família. Ele nos
deixa esse legado. Construiu um sonho, fez um império e nunca perdeu a
humildade, a sensibilidade, a moderação. Saúdo o Deputado
Luiz Antonio Fleury, que faz esse discurso em nome da Liderança do PTB,
e me associo às palavras de S.Exa., ditas de maneira eloqüente, esta
manhã, na Câmara dos Deputados. Obrigado.
O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY - Muito obrigado, Líder Roberto Marinho, digo,
Roberto Jefferson - Roberto Marinho foi um líder para todos nós.
E certamente a emoção do momento fez-me trocar o nome.
Para encerrar, quero dizer que havia uma característica muito marcante
no Dr. Roberto Marinho. Ai daquele que entrasse em sua sala, na Rede Globo, e
não admirasse a paisagem do Rio de Janeiro. Ai daquele que não
comentasse a beleza demonstrada através da sua janela, uma verdadeira
pintura viva do Rio de Janeiro, cidade que amou com tanta intensidade, e teve
oportunidade de ver a restauração do Cristo Redentor.
Orgulho-me muito de ter conhecido um dos maiores brasileiros deste século.
Roberto Marinho é um homem do século XXI, não do século
XX, pois sempre viveu à frente do seu tempo. Roberto Marinho foi um brasileiro
que amou seu País. Um homem apaixonado por tudo o que fez, que ousou sonhar
e realizou todos os seus sonhos. Que Deus o acolha! O Brasil reverencia um homem
que jamais morrerá, um imortal reconhecido por todos os brasileiros. Espero
que Deus conforte e dê forças a João Roberto e aos irmãos,
filhos, sobrinhos, enfim, a toda família de Roberto Marinho, para que
possam levar adiante o maravilhoso legado de um homem muito especial.
Muito obrigado, Sr. Presidente. (Palmas.)
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