Palácio dos Bandeirantes        Aos quinze anos incompletos, FLEURY foi admitido, por concurso, na Academia da Policia Militar de São Paulo, como aluno interno. Começou então uma nova etapa de sua vida, muito importante na fixação dos hábitos de disciplina de trabalho. Despertar às seis da manhã. Café, formação e aulas até o meio-dia. Pausa para o almoço até às 14h00. Outra enfiada de aulas até às cinco da tarde. Jantar à noite, mais duas horas de estudo, chamado não se sabe por que de "estudo livre", já que era absolutamente obrigatório. Quem tirasse menos de cinco numa das matérias perdia a permissão de saída no fim de semana. Aulas de educação física também eram diárias e obrigatórias. FLEURY pertencia à seleção de basquete da Academia. 

          O ensino durava cinco anos e se dividia em duas fases. Os dois primeiros equivaliam ao antigo colegial e as três seguintes eram de nível superior . Havia matérias de cunho profissional e várias outras de interesse humanístico, voltadas sobretudo para o ensino das leis, como Introdução à Ciência do Direito, Direito Constitucional, Processo Civil, Processo Penal, Medicina Legal etc. Essas matérias eram as preferidas por FLEURY. Tomou tanto gosto por elas que, logo depois de se formar na Academia, ingressou no curso noturno de Direito na FMU. Fez o curso inteiro trabalhando de dia e estudando à noite. Cinco anos mais tarde, com o diploma de bacharel em direito na mão, resolveu dar nova orientação a sua vida. Prestou concurso para o Ministério Público.

          Tinha então vinte e quatro anos e um encontro marcado pelo destino com aquela que seria a companheira de sempre. A moça chamava-se Nair Pinheiros Passos (apelido Ika), era estudante de letras em São Paulo e acabava de completar 21 anos. Os dois se conheceram num clube em Itu e casaram-se um ano e meio depois.

          "Começamos a conversar" - relembra ela, "e conversa vai, conversa vem, estamos conversando até hoje". Assunto, com certeza, é o que não lhes tem faltado. A começar pelos três filhos que tiveram: Luiz Antonio, Luiz Felipe e Maria Cristina. Acompanhando as exigências itinerantes da vida de um promotor, a família passou por Botucatu, Conchas, Poá e São Caetano, antes de se fixar definitivamente em São Paulo.

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