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À medida que o tempo corria, a liderança
natural de FLEURY ia se firmando entre seus colegas. Foi eleito,
sucessivamente, 1.° Vice-Presidente da Associação Paulista
do Ministério Público(80/82), 1.° Vice-Presidente da Confederação
Nacional do Ministério Público (81/83), Presidente da associação
Paulista do Ministério Público (82/84 e 84/86) e Presidente
da Confederação Nacional do Ministério Público (83/85 e 85/87
e 87/89). Nunca perdeu uma eleição.
Em março de 1987, assumiu a Secretaria
da Segurança Pública de São Paulo e, em apenas
três anos conseguiu um resultado absolutamente inédito: quando
assumiu, a questão da segurança era a primeira preocupação
dos paulistas, no final de sua gestão, passara para o quinto
lugar.
Esse resultado foi fruto de um extraordinário elenco de realizações
e de uma melhoria do policiamento que se tornou evidente no
dia-a-dia. Acrescente-se vários episódios marcantes, como
o caso Abílio Diniz, onde se viu o desmantelamento de uma
quadrilha internacional de seqüestradores, e o nome de Fleury
despontou naturalmente como candidato ao governo do Estado.
Escolhido pelos votos de 7.480.703 paulistas, tomou posse
em 15 de março de 1991. Nos quatro anos seguintes, apesar
da grave crise econômica que dominava a economia brasileira,
desenvolveu um dos governos mais realizadores do Estado de
São Paulo. Para dar apenas o exemplo da segurança, no final
de sua gestão, a preocupação com esse tema passara de quinto
para oitavo lugar. ( No governo seguinte, voltou para o primeiro
lugar).
A sobrecarga de trabalho na Secretaria , muitas vezes avançando
por sábados e domingos, iria se acentuar no governo do Estado.
(Um cálculo minucioso efetuado com base nos compromissos de
sua agenda, revela que , contando audiências, reuniões, entrevistas,
estudo de documentos, despachos e eventos, o governador Fleury
trabalhou em média 12 horas e vinte e dois minutos por dia).
Com tudo isso, o tempo para o lazer ficou mais curto. O próprio
convívio com os filhos foi sacrificado. O cinema familiar
e o tradicional futebol com os rapazes, no domingo, ficaram
de lado. Para compensar, Fleury valorizava muito todos as
momentos que conseguia passar junto à família , procurando
conversar sobre tudo, sem deixar questões importantes de lado.
Todos sabiam, além disso, que aquela era uma situação excepcional
de duração determinada. Terminado o governo, a família mudou-se
do Palácio do Bandeirantes para uma casa alugada no bairro
do Pacaembu, onde voltou à vida simples de antes, sem protocolo
nem cerimonial. Fleury abriu um escritório de advocacia, resolvido
a dedicar-se com afinco à profissão. Teve muito êxito em suas
causas, pois sempre foi apaixonado pelo Direito e é um excelente
profissional, mas nem por isso se recolheu inteiramente à
vida privada.
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