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O SR. LUIZ ANTONIO FLEURY (PTB-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, ontem, todo o Brasil assistiu, pela televisão, às cenas em que um subprocurador-geral da República, altas horas da madrugada, procurava extorquir o depoimento de alguém ligado à contravenção.

Na qualidade de membro Ministério Público Federal, fiquei estarrecido com o que vi. No entanto, hoje tenho a satisfação dar conhecimento ao Plenário da decisão do Procurador-Geral da República, Dr. Cláudio Fonteles, que encaminhou ao Corregedor-Geral do Ministério Público Federal representação a propósito do fato. 

Após traçar considerações sobre a atuação de 2 procuradores da República, diz S.Exa:
"Na data de ontem, Senhor Corregedor-Geral, foi amplamente noticiado o envolvimento explícito e ostensivo do Subprocurador-Geral da República José Roberto Santoro nos fatos aqui articulados, traduzido em depoimento que tomou, em plena madrugada, de Carlos Cachoeira', no seu gabinete de trabalho, assim permanecendo na investigação à qual nunca teve atribuições funcionais, reitero, utilizando-se do nome deste Procurador-Geral da República, por mais de uma vez, para conseguir, sob a veiculação deste cargo, o original da fita em que 'Carlos Cachoeira' gravara conversa que teve com Waldomiro além de apresentar o Ministério Público Federal, pela conduta funcional deste Procurador-Geral da República, que o chefia, como de subserviência ao Governo Federal (junto, a tudo demonstrar, fita de gravação do Jornal Nacional, que me encaminha a Assessoria de Comunicação da Procuradoria-Geral da República, e material de imprensa escrita)".
E conclui o Dr. Claudio Fonteles:
"Tudo assim objetivamente apresentado, Senhor Corregedor-Geral, encaminho estes autos a V.Excia. para a adoção das providências cabíveis a propósito das condutas funcionais dos Drs. José Roberto Santoro; Marcelo Antônio Ceará Serra Azul e Mário Lúcio de Avelar no que significam de afronta ao princípio do Promotor Natural e improbidade administrativa na modalidade de violação do dever de lealdade para com a instituição: Ministério Público Federal".

Sr. Presidente, sinto-me orgulhoso por pertencer ao Ministério Público Federal, que, mais uma vez, numa exibição de independência e autonomia, demonstra que punirá aqueles que, indevidamente, procuram colocar de lado o bom nome da instituição.

Muito obrigado, Sr. Presidente.