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DOIS
PRA LÁ, DOIS PRA CÁ
..........O
ano 2003 está acabando, depois do turbulento debate
sobre as reformas intentadas pelo governo. Mudanças
foram feitas, o que é significativo, em um país
cuja aprovação de um novo código civil
era esperada há mais de 50 anos.
..........Os
avanços, contudo, são insuficientes para dar
estabilidade duradoura ao país, ou para receberem o
nome de reforma. O mais apropriado é aceitar estarmos
aplicando alguns remendos, de caráter provisório
e emergencial. Cobre-se o rasgado, continua o roto. Mas, concedamos
desconto: toda reforma estrutural é difícil.
Os conservadores querem a convicção da necessidade
de mudança. Alcançando-a, fato não muito
freqüente, passam a perseguir a certeza do acerto da
proposta. Ultrapassadas estas duas barreiras, começam
a discutir a oportunidade. A vanguarda, por seu turno, confia
em sua incansável capacidade de articular fazendo barulho
e se descuida de apresentar propostas consistentes. Isto agrava
a natural desconfiança do outro lado, e o debate de
idéias resvala para a batalha por idéias. E
a essência da mudança perde importância
para a forma do embate.
..........O
Brasil pede mudanças difíceis de promover, doloridas
porque cortam a própria carne, laceram tradições
culturais, dogmas religiosos, vícios políticos
e administrativos. Mudar a legislação previdenciária
como se mudou é protelatório. Mexer no sistema
tributário, como se fez, é esticar um cobertor,
costumeiramente destinado a cobrir erros administrativos,
agasalhar devaneios, lustrar vaidades e esquentar carreiras
políticas. De pouco serviu para melhorar a distribuição
e reduzir a concentração da receita. Mas, registre-se:
valeu o esforço do governo, que sepultou a timidez
do passado recente com sua ousadia e com os resultados obtidos.
..........É
na segurança pública onde menos se ousa, neste
país. A crise está instalada. Não existe
hoje algum lar que não tenha sofrido o reflexo deste
descontrole. Nem mesmo o do Presidente Lula. Todavia, e é
estranho, não se faz movimento para corrigir esta distorção,
que é gravíssima. percebe-se genuína
preocupação com a fome, fala-se da desigualdade
social e da dívida brasileira, mas a questão
da segurança é apenas tangenciada. Ousadia por
ousadia, afirmo ser a violência urbana o nosso maior
problema social. A questão economicamente atenta contra
a vida, sem dúvida, mas de forma indireta. A violência
o faz diretamente, às escancaras, sem medida e em proporções
jamais imaginadas.
..........Nesta área, o discurso "democrático" da
vanguarda, importado, defendeu o desarmamento civil como o
melhor meio de combater a violência e a criminalidade.
Argumento irraciona, sob todos os aspectos, como no futuro
se verá, mais poderoso para iludir a maioria da sociedade.
Até Jean Bodin, o filósofo do absolutismo francês,
não concedia ao monarca, para quem advogava todo o
poder, a prerrogativa de se excluir da lei divina e da lei
natural. Esses "democratas" brasileiros, no entanto,
decidiram alienar toda uma sociedade da proteção
daquelas leis, reduzindo-lhe o direito à vida, acabando
com a instituição da legítima defesa.
Bodin, um jurista, sabia da perenidade de alguns valores,
e da transitoriedade de algumas idéias. O desarmamento
civil é apenas uma idéia, e um equívoco
histórico.
..........Interpretando
o fenômeno da segurança pública, visualizo
um quadro de conformismo, de apática situação,
de um determinismo atávico e implacável. As
coisas continuarão assim, até que a vontade
cidadã, já manifestada em outras ocasiões,
provoque mudanças, não protelatórias
e nem meras adaptações. Mudanças consistentes
com a dramaticidade em que vivemos. O cidadão conhece
seus direitos, e precisa reclamá-los, principalmente
quando se trata da garantia à vida. Agora, é
hora da sociedade ousar! Segurança Já!
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